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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

7. Em silencio profundo

 Em uma noite de lua cheia, num silêncio tão profundo que a própria escuridão parecia conter a respiração, Daniel acordou inquieto. Sentiu algo ao seu lado, como se uma sombra densa o envolvesse, e seu corpo ficou paralisado, como se uma força invisível o prendesse ali.

 Ele mal conseguia mover os olhos, mas, com esforço, viu uma figura ao pé de sua cama. Era uma mulher de beleza sobrenatural: pele pálida como mármore, cabelos negros e longos que caiam sobre os ombros e olhos de um vermelho intenso, que pareciam brilhar na penumbra. Ela sorria, e seu sorriso era de uma perfeição gélida e perversa, que exalava um misto de desejo e morte.

 Aquela mulher se aproximou lentamente, deslizando sem fazer som algum, e sentou-se ao lado de Daniel. Ele queria gritar, mas nenhum som saía de sua boca. Tentou se mover, mas estava preso, impotente, enquanto ela passava a mão gelada pelo seu corpo, como uma carícia macabra e lasciva.

 Ela sussurrou seu nome, e sua voz aveludada parecia vir de um lugar muito distante, um eco sombrio e hipnotizante. Ele sentia-se atraído, como se a voz dela fosse um feitiço que o prendia cada vez mais. Ela se debruçou sobre ele, os olhos vermelhos fixos nos dele, e começou a murmurar em uma língua que ele não entendia, mas que preenchia o ambiente com uma energia pesada e excitante.

 Enquanto a criatura sussurrava, Daniel sentia uma pressão no peito, como se algo estivesse sugando sua própria essência. Sua pele ficava fria e pálida, e o cansaço crescia dentro dele, cada vez mais intenso, cada vez mais inescapável. Aos poucos, sua visão começou a escurecer, e sua última imagem foi a daquele rosto perfeito e frio, sorrindo, enquanto ele sentia a vida ser sugada até a última gota.

Na manhã seguinte, os amigos de Daniel o encontraram, mas ele estava irreconhecível. Sua pele era enrugada, como a de alguém que viveu por décadas, e o olhar vazio, sem brilho algum. Ele estava vivo, mas algo dentro dele havia sido tomado para sempre, deixando para trás apenas uma casca vazia e uma sombra do que um dia fora.



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